O próximo evento do Laboratório de Estudos Sociais sobre o Nascimento (nascer.pt) acontece no próximo dia 6 de fevereiro de 2026, organizado por Carolina Heringer (CES-UC e IFF/Fiocruz) e Laura Brito (Associação SaMaNe), ambas membros do nascer.pt. O evento será uma roda de conversa, intítulada “Quantas mais vão morrer? A relação do pacto da branquitude com o racismo obstétrico no Brasil e em Portugal“, e acontecerá entre as 14h30 e as 16h30, na Sala A202 do Edifício 4 do Iscte- Instituto Universitário de Lisboa. Para além de Carolina Heringer e Laura Brito, a sessão conta com a participação de Carolina Coimbra, em representação da Associação SaMaNe.
Esta roda de conversa propõe uma reflexão crítica sobre a relação entre a branquitude e o racismo obstétrico nos contextos brasileiro e português. A branquitude, tal como problematizada por Cida Bento (2022), constitui um sistema de privilégios historicamente construído no âmbito colonial e continuamente actualizado, que concentra acesso, reconhecimento e poder em torno da norma branca. O racismo estrutura-se a partir da branquitude e, simultaneamente, é por ela reproduzido, formando uma engrenagem de desigualdade que atravessa diversos domínios da vida social. No campo da saúde, esta lógica manifesta-se de forma particularmente violenta, incidindo de modo desigual sobre a saúde materna das mulheres negras. O racismo obstétrico configura-se como uma expressão específica da intersecção entre a violência obstétrica e o racismo institucional, sustentada por hierarquias que intervêm nas práticas de cuidado, nas decisões clínicas e no reconhecimento da dor e da autonomia reprodutiva ao longo do período gravídico-puerperal. O debate propõe, assim, uma análise crítica da branquitude enquanto estrutura histórica e contemporânea de poder, examinando a forma como os privilégios brancos operam de modo quotidiano e frequentemente silencioso na organização dos sistemas de saúde. Serão discutidos os conceitos de pacto da branquitude e de racismo obstétrico, bem como os seus impactos na saúde reprodutiva das mulheres negras no Brasil e em Portugal, a partir de casos reais e experiências quotidianas. O objectivo é questionar as bases racistas que ainda estruturam as políticas e práticas de saúde e contribuir para a construção de um cuidado em saúde gravídico-puerperal justo, digno e equitativo.

Para mais informações, contactar: nascer@iscte-iul.pt.


