Autora: Manuela Néné


Artigo| Néné, Manuela. “Envolvimento Paterno e o Planeamento da Gravidez”. Salutis Scientia 2 (2010): 1-10.


Resumo: O Envolvimento Paterno, de acordo com vários autores, está correlacionado com o facto de a gravidez ter sido planeada, desejada e aceite. Contudo situações de gravidez não planeada, nem desejada, tendo em conta as condicionantes que envolvem a gestação, podem tornar-se aceites e desejadas. Definimos como objectivo geral compreender a relação entre o planeamento da gravidez e a qualidade do envolvimento paterno durante a gravidez. Tendo por base o tema conduzimos um estudo não experimental, de carácter exploratório, no qual se fornece informação relativa aos pais – expectantes (N=60), cujas companheiras, se encontrem no primeiro, segundo ou terceiro trimestre de gravidez. Para avaliar o envolvimento emocional pré-natal nos homens expectantes, foi utilizada a forma paterna da Antenatal Emocional Attachment Scale (Condon, 1993), adaptada para a população portuguesa por Gomez & Leal (2007). Através da aplicação de um questionário sócio-demográfico, avaliámos o efeito do envolvimento paterno no planeamento da gravidez (planeada vs não planeada/desejada vs não desejada) e a sua relação com a idade, habilitações literárias, idade gestacional, estatuto da paternidade (primípara vs multípara) e risco associado à gravidez. Neste estudo, os resultados indicam-nos que não existe correlação entre o envolvimento paterno e a idade, nem com o estatuto da paternidade. O planeamento da gravidez e a gravidez desejada apenas se correlacionam com o Envolvimento Paterno, no segundo trimestre de gestação. Existe ainda, um aumento gradual entre a idade gestacional e o Envolvimento Paterno ao longo dos três trimestres de gestação, embora seja mais notório do primeiro para o segundo trimestre de gravidez.